Passado um pouco da meia-noite, os estudantes da USP que haviam ocupado o prédio da FFLCH resolveram por maioria que iriam acabar com a manifestação, porém um grupo descontente invadiu a Reitoria. O Estadão que estava fazendo a cobertura pelo twitter, disse que estavam com paus e pedras atacando o portão. Nesse momento perguntei se eles não tinham foto do acontecido, porque há perigo de advogado que lê muito Paulo Henrique Amorim , dizer que o portão da Reitoria bateu primeiro nos estudantes.
Quando vejo fotos de estudantes com camisa no rosto eu seriamente lembro das rebeliões de presídio. Eu não tenho absolutamente nada contra manifestações de estudantes, eu participei de uma contra o DCE da PUCRS por exemplo, mas não concordo é com a violência e desrespeito contra policiais que estão fazendo o seu trabalho. Assisti esse vídeo no youtube e honestamente esses pessoal está precisando de uma aula de civilidade.
Por dia na USP circulam em média 100 mil pessoas, mas a minoria rebelde não quer a PM dentro da Cidade Universitária. Essa atitude é a mesma coisa que uma pequena parcela da população de uma cidade se revoltar e apedrejar a delegacia porque não quer policiamento. Meu estranhamento parte do princípio que tem gente achando normal estudante fumando maconha como se fosse tão básico quanto beijar na boca ou abrir um livro e ler no lado de fora do prédio da faculdade. Sou obrigada a perguntar se por um acaso a legislação brasileira mudou no que se refere a maconha, pois até onde sei, não foi descriminalizada. Sabemos que o usuário não vai mais preso, mas a condução à delegacia está dentro da lei. Sobre a descriminalização, sou a favor, e até mesmo entendo que esses bravos lutadores que querem espaço para fumar sua erva em paz estão lutando pelo capitalismo também, correto? Porque vocês não acreditam que cada um terá seu pezinho de maconha no quintal na boa para fumar um, né? No meu entendimento, o Governo vai descriminalizar a maconha o dia que conseguir industrializar seu plantio e fabricação, com a lógica carga tributária. Não sonhem muito com a legalização antes de taxar o bagulho, beleza? Se você paga imposto até sobre a água que bebe, imagina a maconha.
Esgotada essa parte, gostaria de lembrar aos esquecidos, que a polícia segue ordens, e aprendi em casa que, por exemplo, em um tumulto muito grande é melhor se afastar pois pode sobrar para todo mundo que estiver por perto. Tanto em jogo de futebol quanto em manifestação… Começou a quebradeira? Saia de perto e não invista contra quem foi treinado para conter atos de vandalismo. E durante minha vida estudantil, eu sempre segui o conselho que meu pai me deu, afinal de contas ele é Tenente Coronel da Brigada Militar e sabe o que fala. Se você fica perto do tumulto é de propósito, só falo isso seguindo a lógica de Lula, quando Mário Covas apanhou em uma manifestação em São Paulo. Nessa manifestação Covas apanhou dos manifestantes e não da polícia; mas o exemplo cabe aqui perfeitamente.
Falando em meu pai e Brigada Militar, eu não sei em que momento da história brasileira todos os policiais viraram bandidos para uma parcela da sociedade. Eu posso dizer com toda a segurança que sinto vontade de vomitar toda vez que vejo moleque criado a Quick morango duvidando da atitude da polícia e acreditando muitas vezes em quem está “bandidando” no momento. Esse lance de tratar policial como marginal já virou algo extremamente comum, principalmente por quem tem a cara de pau de achar lisura em político gastando dinheiro público e que se faz de “morto” na questão da corrupção POLÍTICA brasileira. Realmente na polícia pode existir corrupção, assim como no judiciário e na diretoria do seu clube… Mas não dá para chamar todos os políticos de corruptos, mas pode dizer que todos os policiais são corruptos. É uma coisa difícil de entender.
Voltando ao assunto: os “coitados dos estudantes” que ao invés de protestar por uma melhora na educação brasileira de forma ampla, resolveram protestar contra a polícia dentro do Campus. Se vocês procurarem no YouTube, acharão protestos de 2007, 2009, etc… que lá pelas tantas os estudantes gritam “Fora PM” , ou seja, faz tempo que a questão da liberdade de expressão anda deturpada para essa turma. A simples figura de policias em um protesto é um ataque a democracia dos estudantes. Isso é de um descabimento ímpar até porque descontrolados da maneira que estão, tranquilamente podem machucar qualquer vivente que estiver contra o ato. Vi gente afirmando no twitter que o normal é policial começar a bater em manifestante; olhe, eu já vi professor apertar os colhões de policiais enquanto ofereciam uma rosa para os mesmos. Já vi estudante atirando ovo em direção a policial e desculpa, mas em um tumulto um ovo ou uma pedra dá na mesma.
Em uma democracia que se preze é inadmissível ver estudantes quebrando viaturas ou depredando prédio público como forma de protesto. Isso meus amigos não é protesto, é só vandalismo. E só no mundo de Alice que a polícia não vai conter o quebra-quebra.
Hoje a barbaridade está acontecendo dentro da USP, amanhã pode ser na sua cidade. Hoje os estudantes atacaram a porta da Reitoria e invadiram o espaço, amanhã eles podem atacar o próprio Reitor e acreditar que tem o direito de fazer isso. Daqui uma semana eles podem invadir um shopping e certamente acharão que está tudo bem. A democracia brasileira está indo para o ralo e democracia sem um pingo de ordem não existe.
Olhando o quadro que está se desenhando, puxo lá da memória uma frase de Quintana: ” O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro. ”
Já pararam para pensar que esses daí serão os doutores do futuro?












Quando escrevi, comentei e conversei me mostrando contra a tal movimento fui chamado até de reacionário, que tudo era um tentativa da imprensa de desqualificar o movimento. Disseram muitos que "o movimento na verdade era contra a PM no campus". E se o campus tem problemas de segurança, por que não a PM? Por acaso uma empresa especializada em segurança patrimonial contratada via licitação trataria toda a revolta com equipe multidisciplinar incluindo psicólogos, psicopedagogos, assistentes sociais, etc? Tudo hipocrisia!!! E a doce ilusão de que a maconha seria cada um com seu jardim e suas ervas? Excelente menção, Letícia!!!
Quando escrevi, comentei e conversei sobre o acontecido me mostrando contra tal movimento, fui chamado até de reacionário, pois "tudo era um tentativa da imprensa de desqualificar o movimento". Disseram muitos que "o movimento na verdade era contra a PM no campus". E se o campus tem problemas de segurança, por que não a PM? Por acaso uma empresa especializada em segurança patrimonial contratada via licitação trataria toda a revolta com equipe multidisciplinar incluindo psicólogos, psicopedagogos, assistentes sociais, etc? Tudo hipocrisia!!! E a doce ilusão de que a maconha seria cada um com seu jardim e suas ervas? Excelente menção, Letícia!!! Ficou feio e pareceu mais coisa de criança mimada que quer por que quer o que não pode.
Nada a acrescentar, Letícia!! Texto impecável! Porte de maconha é crime previsto na Lei de Entorpecentes (Lei Federal 11343/06), o que queriam? Ainda querem o policiamento fora do Campus? Essa reitoria…
Muito bom.
Só queria fazer uma correção. Onde se lê "discriminalização" deveria ser "descriminalização".
Ok, bebê! Vou corrigir.
Eu acho engraçado que eles não usaram essa mesma virulência para protestar contra o estupro de uma aluno e o assassinato, há três meses, de um aluno que estava voltando para casa quando foi assaltado (sem reagir) e eram apenas nove da noite. E não havia policiamento algum. Se o policiamento só deu as caras por conta de a turma estar fumando maconha também está errado e tem de ver suas prioridades e que fique no campus sim, não para reprimir somente o uso de drogas, que eu acho uma bandeira muito questionável (a legalização e similares), quando se há tantas mais interessantes, como o próprio conceito de ensino da USP, há muito falido, mas que é empurrado goela abaixo por muito de seus professores que fazem parte de orgãos importantes, como o CAPES, CNPq e INEP (há quatro anos, um desses inteligentes disse que "não poderia haver regionalismos no ENEM" – quer dizer, ninguém estuda Graciliano Ramos ou João Cabral de Melo Neto, mas todo mundo tem que ler Mário de Andrade e acreditar piamente que a Semana de 22 continua sendo até hoje a coisa mais interessante que aconteceu de cultura no Brasil) engessando a educação com diretrizes ultrapassadas. Quando houve a ocupação da reitoria da UFPE aqui, em 2007, a princípio fui a favor, mas daí apareceram gente que não tinha nada a ver com a questão educacional (MST, partidos políticos), que faziam verdadeiras orgias (essa é a palavra) em um recinto público, pago com o meu dinheiro e atrapalhando toda o funcionamento administrativo da coisa, que se já é ineficiente funcionando, que dirá parado. Sem contar o lado sadomasoquista desses militantes, que se vangloriam de apanhar da polícia só para poderem bradar a plenos pulmões que sofreram "repressão" e se comportarem como se estivessem em Paris de maio de 68. Ou seja, um bando de anacronistas que não conseguem enxergar o mundo como ele é a dois palmos de seus narizes.
Álisson, já participei do "movimento estudantil" e não tem lógica, saca? Sempre vira palanque para político e ser idiota útil, sempre.
Lê, primeiramente parabéns pelo texto, eu não consigo parar de te parabenizar, principalmente quando você consegue dizer aquilo que eu gostaria de ter dito mas não tenho este seu dom.
Uma coisa me chamou a atenção mais do que tudo, porque eu achei que tinha sido uma impressão exagerada minha: a questão das camisetas. Foi inevitável a minha comparação também às rebeliões dos presídios.
Mas, de forma geral, o que está me incomodando são duas coisas: essa forma covarde e agressiva de vandalismo e rebelião, destruindo não apenas o patrimônio daquilo que temos hoje como sinal de segurança e autoridade (mesmo que não esteja funcionando 100%, mas daí é OUTRA discussão), a própria instituição de ensino que irá formar estes estudantes e onde eles não pagam um centavo para isso e, o pior, a queima da nossa bandeira. Prá mim, aquilo foi um sinal nítido da falta de patriotismo e a falta de zelo e de lutar como brasileiros. Sabe, eu tinha uma idéia equivocada sobre os EUA até o dia em que fui para lá. Eu credito muitas coisas terem dado certo, devido ao patriotismo dos americanos, eu vejo como um lar, é como se fosse a extensão da sua casa ampliada, se a pessoa não consegue cuidar do próprio lugar onde mora, o que dirá do resto? Isso é patriotismo, um conceito que eu antes eu achava babaca, e hoje entendo de outra forma.
A segunda questão é justamente sobre essa minoria… Há anos que os alunos da Usp vem em massa à midia reclamar da falta de segurança, face aos crimes que ocorreram dentro e ao redor da cidade universitária (e não foram poucos) e quem conhece a Usp por dentro, sabe o tamanho que é aquilo. A Usp conseguiu firmar uma parceira com PM justamente para tentar minimizar um grave problema de violência que ocorria dentro do campus, então vem um grupo de filhinhos de papai justamente querer tirar a PM da área para poder fumar seu baseadinho em paz? FAÇA-ME O FAVOR. Isso não apenas tira a segurança de uma maioria esmagadora como "ajuda" a aumentar a violência dentro do campus, sim, porque a maconha que eles fumam custa a vida de outras pessoas e, certamente, não são os maconheiros que vão até os fornecedores, certamente são estes que vão ao campus "atender aos seus clientes".
Concluindo (porque tá quase virando outro post) infelizmente parece que estamos vivendo uma inversão de valores e isso é única exclusivamente culpa dos pais, então se tivéssemos que massacrar alguém, não seriam nem estes deliquentes, mas os pais que deram essa maravilhosa (not) educação a eles…
Obrigada, Anny :)
Adorei teu comentário quase Update no texto.
Excelente post Letícia. Nada contra usuários de maconha, mas acho que é uma opção pessoal e que é contra lei. Quer fumar, fume, mas é meio idiota querer liberdade para faze-lo em público.
A questão da camisa nos rostos me faz associar não ao presídio, mas ao medo de levar bronca dos pais em casa. Talvez pq eu ache que são todos criados a base de Quick e todynho mesmo.
A única lógica para que alguns estudantes de uma universidade pública de qualidade pensem que não precisam se submeter às leis do país, na minha visão, é o fato de se sentirem superiores aos outros brasileiros. Queriam uma polícia que coibisse os furtos e casos de violência dentro do campus, mas que permitisse que eles burlassem a lei quando quisessem. Provavelmente eles não aprovariam o mesmo para os relés mortais que estão fora do campus.
Pois… imagina que na minha cidade tem em média 25.000 eleitores, por exemplo, vamos chutar que a população seja de 35.000 pessoas. Já imaginou se 400 resolvessem fumar maconha na rua e começassem uma "revolta"? Todo mundo pra cadeia, sem choro nem vela.
Para te falar a verdade, não entendo o motivo do protesto além de uma "birrinha" e óbvio a falta de ter o que fazer.