Há muitos anos atrás, durante uma adolescência que parecia eterna, me agarrei a uma das filosofias mais belas que conheço, o Budismo. ‘Senda Óctupla’, ‘Caminho do Meio’ e afins me deram força para aguentar a mim mesmo, o que até hoje não é fácil.
Nessa época, travei meu primeiro vislumbre do Tibet, a terra dos monges vestidos de hábitos açafrão, do iaque e do Everest, através dos livros de Terça-feira Lobsang Rampa, que só muito depois entendi ser um grande impostor (porém conservo os livros até hoje e sinceramente gostaria que fossem verdadeiros).
O Tibet foi anexado à China comunista em 1950, provocando o exílio do líder espiritual do budismo, o Dalai Lama, e hoje todos são a favor dele e do Richard Gere, lutando pelo Tibet Livre.
Porém, como era o Tibet antes da invasão chinesa? O Tibet não era e nunca foi uma democracia. Baseado em um sistema de castas semelhante ao dos antigos hindus, o país era governado por uma Teocracia, tendo o Dalai Lama como ‘rei’ de fato. Ministros, conselheiros e afins eram todos nomeados por ele, tendo em Lhasa sua capital. O povo deveria obedecer sem pensar em divergir, como o usual.
Historicamente, o Tibet possui presença humana desde 10.000 anos atrás. mas somente com Songtsen Gampo, 33º rei tibetano é que o budismo se firmou como religião oficial. É do período desse rei (617-701) a escrita tibetana e vários templos budistas.
Hoje em dia é muito difundida a felicidade e a paz budista, mas mesmo nesta filosofia com pendores religiosos existe um passado que a liga às grandes religiões mundiais — e a seus erros e vícios. O Tibet, o ápice budista, sonho utópico de 9 entre 10 pacifistas:
“O próprio Dalai Lama deu apoio a essa imagem idealizada do Tibete com afirmações como: “A civilização tibetana tem uma história longa e rica. A influência difusa do budismo e os rigores da vida em meio aos vastos espaços de um ambiente intocado resultou em uma sociedade dedicada à paz e harmonia. Nós gozávamos de liberdade e contentamento.” De fato, a história do Tibete é um pouco diferente. No século XIII, o imperador Kublai Khan criou o primeiro Grande Lama, que deveria presidir todos os outros lamas, assim como um papa mais e seus bispos. Vários séculos depois, o imperador da China enviou um exército para o Tibete para apoiar o Dalai Lama, um homem de 25 anos, ambicioso, que em seguida deu a si mesmo o título de Dalai (Oceano) Lama, governante de todo o Tibet. Aqui está uma ironia histórica: o primeiro Dalai Lama foi instalado por um exército chinês.”[Michael Parenti]
Erros são igualitários; não há cor, raça, credo que não erre. É humano e se muitos aprendem com eles, outros criam situações onde os erros dos outros sejam maiores ou mais visíveis.
Continuo fã da filosofia budista, mas não sou totalmente favorável a Sua Santidade o XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatso, em um assunto que agora a China está fazendo questão de mostrar, com todas as cores. Para o budista, o maior pecado que existe é a destruição da vida, seja ela em que corpo/estado esteja. Então porque tantos monges budistas tem botado fogo em si mesmos, praticando a auto-imolação? Suicídio então, além de ser uma atentado à vida, ainda é um ato considerado um ato de covardia. Sua Santidade disse, em novembro de 2011 no Japão, que a razão para que os monges tibetanos pratiquem auto-imolações era “a política da China sobre a cultura tibetana de extinção”.
Entendem meu ponto? Então deixa-se que jovens (a maioria entre 18 e 30 anos) se matem em protesto, sem condenar o ato, como se esses pobres coitados com fim horrendo fossem ferramenta política de protesto. Vários jornais mundiais[1][2][3] tem trazido essas questão, então logicamente que a China dos trabalhadores-escravos tem que se aproveitar da deixa. O China Tibet Online traz várias matérias — citando outras fontes da mídia, inclusive –, chegando aos extremos de dizer que Dalai Lama é nazista, genocida, os membros do clero são pagos pela CIA, etc. Não seria melhor, mesmo que mais trabalhosa, a política do “parem com tudo”? Bastava que Tenzin Gyatso ordenasse: “não quero mais essa frescura de se matar, porque como acreditamos em reencarnação, melhor tocar a vida adiante e esperar uma vida melhor no futuro…”
Wikiquote:Caminho do Meio
Um importante princípio orientador da prática budista é o Caminho do Meio, que se diz ter sido descoberto pelo Buda, antes de sua iluminação. O Caminho do Meio tem várias definições:
- a prática de não-extremismo: um caminho de moderação e distância entre a autoindulgência e a morte;
- o meio-termo entre determinadas visões metafísicas;
- uma explicação do nirvana (perfeita iluminação), um estado no qual fica claro que todas as dualidades aparentes no mundo são ilusórias;
- outros termos para o sunyata, a última natureza de todos os fenômenos (na escola Maaiana).
Tibet livre sim, mas sem gente assada.











