Carol, Monica e eu estávamos conversando sobre partos, mães, filhos, tê-los ou não e por aí vai. Indo e vindo nesses assuntos, Monica comentou que algumas pessoas fazem um certo movimento a favor do parto normal. Eu não sabia que isso existia, fui pesquisar e vi diversos argumentos incríveis para que uma mãe tenha seu filho da maneira mais “normal” possível. Lembrou muito a obstetra que fez meu parto, que entre tantos argumentos utilizados, chegou a dizer que cesariana era só em caso de problema sério, que bebê ou mãe corressem algum risco.
Desde o início da gravidez li muito sobre o assunto e parto normal, no meu conceito, era coisa de quem vivia na floresta. A obstetra dizia que a gravidez durava nove meses e durante esse tempo eu poderia mudar de opinião. Disse ainda que a cesariana era uma cirurgia e que demorava mais para o corpo voltar ao normal, que os pontos poderiam inflamar e toda aquela teia de argumentos. Naquela época comecei a ouvir a opinião de quem já havia tido filhos — a grande maioria havia feito cesárea — e quase todas comentavam que os pontos incomodaram um pouco sim, mas tudo foi tranquilo.
Perto já do parto comentei com a obstetra que havia escolhido fazer cesárea, mas ela foi irredutível: disse que era um desperdício fazer isso, afinal de contas era meio traumático para o bebê e eu estava saudável e apta para encarar um parto normal.
No dia 19 de maio, pelas 22:00 horas, meu tampão resolveu sair e logo começaram as contrações leves. Liguei para a obstetra e disse que estava iniciando meu trabalho de parto, que me pediu para ir ao hospital e lá ver como tudo andava, o que fiz pela meia-noite. Após ser examinada me falaram para voltar para casa e caminhar bastante para o trabalho de parto engrenar. Lembro que as contrações eram terríveis e fui e voltei até o hospital quatro vezes. Na última vez fizeram o exame e eu estava com a dilatação boa, me colocaram em uma sala e pediram para eu aguardar a obstetra. Ao meio dia e quarenta minutos me levaram para a sala de parto; mesmo fazendo toda força possível , não foi o suficiente. A anestesia não fez efeito e as dores estavam terríveis, achei que morreria de tanta dor. Um dos meus grandes medos era que a médica usasse o fórceps e ela sabia disso, mas como Lucas não nascia de jeito nenhum, teve que fazer uso desse “alicatão”. Senti toda a dor triplicada e quando meu filho nasceu, nos primeiros segundos não ouvi o seu choro. Vi que duas enfermeiras se aproximaram rápido e juntei o restinho de força que tinha para ver o que acontecia. Lucas começou a chorar e eu fiquei aliviada, mas ele nasceu com duas voltas de cordão umbilical no pescoço e uma no pulso.
Meu parto normal não teve nada de normal, nem de “povo da floresta”, foi sim uma grande tortura. Levei muitos pontos, fiquei sem conseguir sentar durante 30 dias, meu filho ficou durante quase um mês com a marca do fórceps na cabeça e o que era para ser lindo e maravilhoso, virou um pesadelo filmado com música de fundo do Titanic.
A anestesia fez efeito depois do parto. Quando acordei não sentia minhas pernas, olhei para um lado e vi uma pessoa com a cabeça enfaixada, enquanto do outro acontecia um atendimento por causa de uma parada cardíaca. Gritei, achei que tivesse morrido mas um enfermeiro apareceu dizendo que não havia espaço na sala de pós-parto e eles resolveram me levar para a UTI para me recuperar antes de ir até o quarto.
Aprendi com isso que cada parto é um parto, cada mulher é diferente… Não existe fórmula unânime. Defendo que toda mulher possa escolher como quer ter seu bebê, sem pressão de terceiros. Não faço campanha a favor da cesárea e jamais faria campanha, não é isso, somente acredito na escolha mesmo quando se está saudável.
Diversas pessoas opinam sobre partos, algumas nunca passaram por um e jamais passarão e são justamente as que mais falam a favor do parto normal – apoiadas em estatísticas e dados que julgo serem interessantes, porém como comentei antes quem deveria decidir sobre a forma de parto é a mulher grávida e não por exemplo, a obstetra que nunca teve filho e só faz parto em risco de morte porque ela apóia uma causa.
Lembro até hoje, quando Lucas me pediu para assistir a fita Procurando Nemo e sem querer coloquei a fita do parto. Ele tinha 5 anos e pediu para continuar a assistir, já que nem sabia que existia tal fita. Insisti que não assistisse, porém ele quis porque quis e no final acabou chorando abraçado comigo, pois assistiu ao meu sofrimento e ao dele por algo que a obstetra jurava que seria “normal”.
Parto Normal…Jura?
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olá,o meu parto também foi normal,mas de normal não tinha nada,implorei para o meu obstetra me fazer uma cesaria,porque não iria conseguir,depois de ter tido dores insuportáveis,ele me disse que só faz cesariana em casos de risco de vida,então me levou para a sala de parto,eu fazia força e meu bebe não vinha,ele disse para a enfermeira:_Ela disse que não ganhava!!! Ai eu me apavorei mais…ele começou a me cotar sem anestesia nenhuma para trás até encontrar um lado com o outro e mesmo assim não dava,a enfermeira então muntou na minha barriga para ajudar o bebe nascer,só ai nasceu ele pesou 3.900kg.tive que ter dieta liquída 15 dias,fora os pontos que me incomodavam,foi uma cesariana só que em baixo.Moral da história??? Hoje estou com incontinência fecal devido ao corte…chama-se trauma obstétrico,é a perda dos músculos esfincterianos devido ao parto forçado…vou ter que fazer uma cirurgia e usar colostomia durante 4 meses porque não poderei fazer força com o intestino….O QUE HÀ DE NORMAL NISSO TUDO????
Poxa Alessandra que barra, menina! Consigo imaginar o que você passou! Como disse no texto, meu parto de normal também não teve nada… Mas o seu… Puxa vida que triste. Também levei muitos pontos, foi barra demais, mas nada comparado ao que você está passando. Lamento muito!
O meu foi natural, na água, com música, vela, massagem, luz baixa, ex me abraçando…e maravilhoso. Muitas vezes algumas complicações existem pela má condução do parto. Minha irmã teve duas cesáreas e a segunda foi traumática. Nossos casos isolados podem influenciar para nós, mas acho importante que a equipe médica se baseie, sim, em evidências e nas recomendações da OMS. Por exemplo, você achava que PN era coisa de floresta, o que é uma visão deturpada, porém coerente com a cultura brasileira. Em outros países, não se realizam tantas cesáreas como aqui e parto normal é extremamente comum.
A cesárea é mesmo uma operação de médio porte e de emergência, que pode trazer várias complicações (e sempre me dá aflição quando uma amiga pare assim e os bebês vão pra incubadora maturar o pulmão, por exemplo), o que não significa que toda cesárea será traumática. É, apenas, desnecessária. Nesse ponto, acho importante as mulheres grávidas simplesmente terem informação e escolherem baseadas nisso. E informação pra mim significa ler, assistir vídeos, participar de grupos de gestantes, escrever um plano de parto, discuti-lo com o médico, conhecer o hospital, conhecer os próprios limites e crenças. A maioria das mulheres simplesmente confia cegamente no que o médico e as amigas dizem, e é aí que moram muitos problemas.Em tempo: já participei ativamente destes grupos; primeiro porque estava grávida e buscava um parto na água e, segundo, porque acredito neles. Porém, existe muita gente radical dentro desses movimentos, assim como percebi que existe em qualquer movimento. Na época que tive minha filha, conheci dois grupos quase “rivais” dentro da mesma crença e uma das maiores críticas da psicóloga que liderava um deles, era que o outro estava cheio de pessoas que não olhavam para os casos particulares de cada mulher. Ou seja, seu argumento está certo, mas nem sempre é tão simples assim. As vezes a escolha é feita em informações erradas, os distorcidas, ou incompletas, o que é uma pena.
Concordo muito com a parte que a gestante precisa buscar informação, Rê. Normalmente fico muda quando alguma amiga grávida pergunta como foi meu parto, justamente para não influenciar, sabe? Pq sei que cada mulher é diferente.
Depois que a Mo falou que existiam grupos que apoiavam o parto normal, fui ler sobre e vi bastante radicalismo, o que sou contra. Assim como vi gente falando maravilhas do parto cesárea de uma forma radical… Também sou contra.
É como você falou, são casos particulares, ou seja com pessoas diferentes. :)
Minha Kátia fez 2 cesária. E hoje, ainda diz com humor: Olha, eu posso te dizer, vai pra PQP! Ah foi a senhora. – Eu não! Eles me abriram e tiraram vocês. Esse negócio que quem Pariu Mateus que o balance, não é comigo.
Minha cunhada perdeu o bebe esperando ter abertura! Uma outra o médico pegou o beber de uma maneira esquisita e quebrou-lhe o pescoço. É como você escreveu: “cada parto é um parto, cada mulher é diferente… Não existe fórmula unânime.”