Kit Gay, onde?

Gay Not Gay

Eu assisti os três filmes do Kit contra a homofobia que o MEC vai distribuir nas escolas. Primeiro assisti por curiosidade profissional, depois como mãe e madrasta.
É importante destacar a quantidade de informações mentirosas sobre o kit que foram divulgadas na internet e na mídia. O tal Kit não será distribuído para crianças de ensino fundamental, ou seja, somente terá contato com o material alunos do ensino médio.

O conteúdo dos vídeos são educacionais e nada agressivos, vocês podem assistir aos três vídeos no final do post. Não existe nada de promiscuidade ou incentivo à homossexualidade; o que existe é uma instrução civilizada sobre o respeito para com a opção sexual. Mesmo que os mais puristas gritem contra, esse tipo de vídeo já deveria ser mostrado para os adolescentes há muito tempo, pois muitos sentem vergonha ou sofrem preconceitos dentro do colégio por parte dos colegas ou até mesmo por parte de professores ou funcionários.
Os vídeos, acima de tudo, falam sobre as diferenças, o respeitar o outro e entender que somos todos iguais perante a justiça, embora tenhamos cada um de nós as nossas íntimas particularidades.
Da maneira como os vídeos foram “pintados” pelos mais revoltados, parecia que crianças de ensino fundamental assistiriam a cenas de sexo explícito, quando na verdade não existe nada disso no conteúdo dos vídeos.
Desde o anúncio do kit contra homofobia somos obrigados a conviver com a irrealidade de uma sociedade hipócrita. Alguns ficaram tão neuróticos que começaram a utilizar a religião como forma de contestar, dizendo inclusive que os pedófilos em sua grande maioria são homossexuais. Não sejam levianos, hoje mesmo um padre foi preso sob suspeita de pedofilia, e isso não indica que a MAIORIA dos pedófilos sejam padres.
Não sou católica, isso é verdade. Na real a única religião que sigo é a da convivência pacífica. Meu filho e meu enteado são católicos e jamais foi feita campanha contra a igreja, uma vez que cada um escolhe no que acreditar.
Vamos mais longe? Recebi um e-mail para participar de um abaixo assinado contra o “kit gay” com invocações religiosas fantasiosas contra os homossexuais. Fiquei ofendida, meu enteado mais velho é homossexual, tenho amigos homossexuais e não concordo com a monstruosidade que estava ali escrita. Meu pai e minha mãe me ensinaram que devemos respeitar as pessoas como iguais, não interessa a cor da pele, a religião ou a preferência sexual. Em minha casa, ninguém é diferente e é esse o tratamento que meu filho dispensa para os amigos.
Seu filho é homossexual e você acha que é um problema? Problema seria se ele tivesse um câncer difícil de curar. Homossexualismo não é doença e sim escolha, e quem não aceita isso nos outros deve fazer terapia, até porque a vida das outras pessoas só interesse a elas e você tem a sua para cuidar.
Dos vários fatores que diferem as pessoas a ignorância e a intolerância se destacam. Ignorantes e intolerantes precisam de tratamento, porque essa tendência a se achar superior ou é problema psiquiátrico ou falta de altura para alcançar o espelho.
Falando em espelho: olhe-se no espelho antes de destilar seu preconceito, se você não aceita o diferente, não sabe viver em sociedade. Nelson Rodrigues um dia falou: “Toda unanimidade é burra”.
Fazemos parte de uma família moderna por assim dizer. Tenho meu filho, David tem os dele e pretendemos adotar outra criança. Temos orgulho de nossos filhos, apesar de cada um ter sua particularidade e muitas vezes sofrerem preconceito pelas suas escolhas ou pelas suas características, mas mesmo assim todos tem caráter e respeitam o diferente. Vejam bem, meu filho é gago e está acima do peso, ontem mesmo foi tratado por colegas como se fosse uma aberração, e isso é doloroso.
Se você não entende os outros, respeite ao menos. Respeite meus filhos e a maneira como cada um é, que serei sua amiga. Fale mal dos meus filhos, principalmente se o assunto não é de sua competência , e eu vou te ignorar. Simples assim.
Abaixo deixo os vídeos para quem quiser assistir:


Sobre o autor

Leticia Losekann Coelho
Letícia Losekann Coelho é pedagoga,poeta e editora. Dedica-se hoje integralmente à Editora Novitas, fundada em conjunto com seu marido, o também escritor David Nóbrega. De forma bimestral publica uma coluna na Revista Cultural Novitas ( http://www.revistasnovitas.com.br/ ), escreve no seu site http:/www.leticiacoelho.com.br e no blog Bordel Bordado http://bordelbordado.blogspot.com/ @Leticia_LCoelho
  • Otavio Zini

    adorei seu comentário, tb so discordo quanto ao termo "escolha" (ja esplicado) e para apimentar um pouco mais trancrevo um trecho de uma carta dirigida a um blog evangélico norte americano:
    Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio dos Estados Unidos que dá conselhos a pessoas que telefonam para seu programa de rádio. Há um tempo atrás ela disse, citando o Levítico 18:22, que a homossexualidade é uma abominação e não pode ser perdoada em nenhuma circunstância. O texto a seguir é uma carta aberta escrita por um residente nos Estados Unidos, carregada de ironia e dirigida a Dra. Laura.

    Cara Dra. Laura,

    Obrigado por fazer tanto para educar as pessoas de acordo com a "Lei de Deus". Eu aprendi muito a partir de seu show, e tento compartilhar conhecimento com o máximo de pessoas que consigo. Quando alguém tenta defender o estilo de vida dos homossexuais, por exemplo, eu simplesmente relembro a eles que Levítico 18:22 claramente define que isso é uma abominação. Fim da discussão. Entretanto, eu preciso dos seus esclarecimentos a respeito de algumas das outras leis e de conselhos para segui-las:

    a) Quando queimo um bezerro em um altar como um sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável ao Senhor (Lev. 1:9). O problema são meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo esquartejá-los?

    b) Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como sancionado no Êxodo 21:7. Segundo você, hoje em dia qual seria um preço justo por ela?

    c) Eu sei que não posso ter contato com uma mulher menstruada, porque ela se torna impura por sete dias (Lev. 15:19-24). O problema é como saber se ela está ou não menstruada. Eu até tentei perguntar, mas a maioria das mulheres fica ofendida com uma pergunta dessa.

    d) Segundo Lev. 25:44, eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que comprados de nações vizinhas. Um amigo meu argumentou que isso só se aplica a Mexicanos, mas não a Canadenses. Você poderia esclarecer? Por que eu não posso ter Canadenses?

    e) Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar no Sábado. Em Êxodo 35:2 está escrito claramente que ele deveria ser condenado à morte. Eu estou moralmente obrigado a matá-lo?

    f) Um amigo meu acha que embora comer crustáceos seja uma abominação (Lev. 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu discordo que possa existir uma escala que classifique pecados entre menos graves e mais graves. Caso a doutora concorde com meu amigo, seria possível preparar uma tabela para medir os graus variáveis de abominação? Se tiver, por favor, coloque uma cópia na sua web page, para que eu possa me informar melhor. Pelo que eu estou sabendo, abominação é o mesmo termo usado tanto em Levítico 11:10 como em Levítico 18:22. Você pode decidir isso?

    g) Lev 21:20 declara que eu não posso me aproximar do altar de Deus se possuo um defeito em minha visão, pois nenhum homem que tiver algum defeito se chegará para oferecer o pão do seu Deus: Como homem cego, ou aleijado, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos, ou que tiver o pé quebrado, ou a mão quebrada, ou for corcunda, ou anão, ou que tiver belida, ou sarna, ou impigens, ou que tiver testículo lesado; etc. No meu caso, eu não tenho um nariz chato nem lesão no testículo. Porém tenho que admitir que uso óculos de leitura. Minha visão teria que ser perfeita?

    h) A maioria de meus amigos homens corta seus cabelos, inclusive com um certo estilo, embora isso seja expressamente proibido pelo Lev. 19:27. Como eles devem morrer?

    i) Segundo o Lev. 11:6-8, se tocar a pele de um porco morto tornarei impuro. A bola de futebol americano é feita de pele de porco, mas eu ainda posso jogar football (americano) se usar luvas?

    j) Meu tio tem uma fazenda. Ele não estaria contrariando o que é determinado em Lev. 19:19 plantando dois vegetais diferentes no mesmo campo? O mesmo não estaria fazendo sua mulher, usando roupas feitas de dois diferentes tipos de fios (mistura de algodão e poliéster)? Ele também tende a maldizer e blasfemar. Para puni-los será mesmo necessário que passemos pelo transtorno de ter que juntar toda a cidade para apedrejá-los? (Lev. 24:10-16). Não poderíamos simplesmente queimá-los até a morte, já que esta é uma questão privada de família, como é o caso das pessoas que dormem com parentes?

    Eu sei que você estudou essas coisas profundamente, assim eu confio que você poderá me ajudar. Obrigado de novo por nos lembrar que as palavras de Deus devem ser interpretadas da forma exata como foram escritas.

    De um seu discípulo devoto e fã adorador.

  • Pingback: Erico Verissimo - comentários

  • ferreirakp

    Me refri no TW sobre a minha posição contrária na forma de tratar este assunto. Penso que não é da competência única e exclusiva da escola.´Se assim for será uma banalização de um assunmto muito sério, e como tal requer a participação da família, em primeiro lugar, junto a professores e especialistas em comportamento humano. Sou totalmente contra este tipo de ensino, é preciso tratar o caso com profissionalismo, coisa que um livro didático nem sempre expressa. Combater o proconceito sim, não as pessoas tidas como diferente.
    Repito para ficar bem claro: Não aceito que o assunto seja tratado simplesmente através de um livro ou videos em sala de aula. É preciso dar ao assunto o devido valor que ele merece.

    • ScriptusEst

      É um assunto que já foi tratado em folhetins televisivos, passeatas, núcleos minoritários em partidos políticos, etc. Não seria agora a hora de se partir para dentro da Escola?
      Está tão "na mídia" bullyings e afins que o momento torna-se oportuno por si só. Além disso, contra a burrotização televisiva, como ontem ouvi de longe na infeliz Record (coordenada por ativistas religiosos-monetários), nada melhor que material com credibilidade.

  • http://www.noghetto.caixadepandora.com.br MaxReinert

    Muito bom seu post…. mais uma vez a ignorância (no sentido de não saber) parece ser a "culpada" por tanta gritaria. Tenho certeza que a maioria das pessoas que falaram mal sobre os vídeos nunca tinham assistido-os. Simplesmente saíram repetindo as palavras que "alguém" disse.

    A única coisa que discordo em relação ao seu texto é ao fato de colocar a orientação sexual como uma escolha. Desde que me conheço por gente sou homossexual, nunca "optei" por me tornar um ou por me apaixonar por alguém do mesmo sexo. Na verdade, no início eu optei por negar essa orientação e namorar com meninas.

    A única coisa que escolhemos é levar uma vida dupla (uma de fachada e outra real, no armário) ou assumirmos quem somos, na integridade, sem nos negarmos ter também uma vida sexual.

    • Leticia Coelho

      Max,
      Obrigada. Escrevi escolha no sentido do direito a escolher com quem quer se relacionar, sem medo de ser feliz. :)

  • http://jugehrke.blogspot.com Jussara Gehrke

    Letícia, ótimo texto e achei bem bacana os videos, as pessoas falaram tanto sem ver, porque é um assunto polêmico, aceitar as diferenças não é fácil pra muitos.
    Já estou distribuindo seu post por ai…
    beijo
    Ju

  • http://sandracajado.com.br Sandra

    A falta de informação verdadeira no nosso país é precária!

    As pessoas criam uma ilusão fantasiosa e vestem as máscaras da religião para agregarem valores hipócritas para si.

    Minha filha mais velha é homo e eu tenho orgulho dela!

    É uma filha maravilhosa que eu amo demais…

    Meu filho Rafael de 15 anos foi obeso e gago até os 10 anos e sofreu muito na escola, teve que fazer dieta por causa da saúde.

    Nós somos uma familia moderna e sem preconceito algum.

    Nada me corta mais o coração do que ver um filho sangrando por dentro por falta de compreensão dos pais.

    Que possamos respeitar acima de tudo o amor e as escolhas de cada um.

    Eu adorei o seu texto amiga e me indentifiquei muito com ele.

    Beijos nessa familia especial .

  • http://www.outramascara.blogspot.com Camila Passatuto

    Não entendo essa aversão pelo diferente.
    Muitas vezes sinto até um cansaço ao ouvir falar das fobias ao próximo… ninguém pede nada além de respeito.

    Respeitar (para alguns seres humanos) deve doer, só pode!

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